quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Onde Estão?


Eu olhava lá de cima e já nem me recordava o que estava procurando. Eu deduzi que estava perdido há muito tempo, afinal, já não me lembrava mais. De alguma forma aquilo me magoava, mas não sabia porque. Eu devia lembrar? Eu não devia lembrar?
Olhei para os lados e não havia ninguém, então as memórias me voltaram. Memórias de primaveras floridas em piqueniques nos parques do bairro. Memórias de crianças que brincavam de pique na rua. Memórias de pessoas que cantavam e faziam danças loucas num temporal. Memórias que me fizeram sentir uma pontada, uma pontada forte no peito. Olha, aquela ali, a mais feliz, mais sorridente... Ela sou eu. Ou é o que eu era.
Onde estão todos agora? Todos que estavam em minha volta quando comíamos morangos fazendo caretas como se fossem amargos? Os que corriam comigo ou de mim em uma brincadeira de criança? Aqueles que me puxavam para a chuva para rir e me molhar de lama? Onde estão todos os meus amigos? Era assim que eu os chamava. Mas naquele momento, não havia mais nenhum. Nenhum deles ao meu lado, nenhum deles contando piadas, nenhum deles me xingando ou fazendo caretas. Nenhum deles apenas para estar lá. Então percebi que o tempo todo, fora eu quem fugira deles.
Me joguei. Sem medo. Pois na queda só há paz, o impacto vem quando toco o chão. E eu não estava preocupada em tocá-lo, pois eu sabia que meus amigos todos estavam lá.

( Livup )

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A vida de Mary


Mary não é rica, não é popular, Mary não é nerd e não é descolada.
Mary não tem muitas roupas, não tem carro, Mary tem um mp4 de 512Mb.
A família de Mary não é nem nunca será um exemplar, Mary não tem motivação alguma. Mary é sozinha, mas está bem assim.
Mary continua vivendo. Com força e determinação.
Mary é uma adolescente diferente, Mary não ama, não tem amigos, Mary se cala e só.
Mary tem uma rotina monótona, escola/casa/escola. Mas Mary tenta esquecer isso.
Mary não tem medo de nada, Mary não tem mais que sua vida, mas Mary tem tudo.
Mary sorri sempre, Mary chora todas as noites.
Mary reza por um mundo melhor, Mary ora pedindo apenas felicidade.
Mary finalmente encontra sua vez. É a oportunidade que ela precisava.
[...]

Anos depois Mary volta à sua antiga casa, em sua BMW vermelha, com seu marido e sua filha.
Foi levar o dinheiro que sempre dava aos seus pais para ajudá-los.
Mary agora é formada em medicina, mora na Australia, e conseguiu tudo o que sempre quis.
Mary finalmente é feliz.
-x-

Todos somos ou já fomos "Mary". Superações fazem parte de nosso dia-a-dia, só precisamos de um pouco de sorte, muita paciência e toda a esperança possível.
Nunca desista de seus sonhos, eles são o que você tem de mais precioso.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

First mini-fic


Era uma noite como todas as outras. E lá estava ela a caçar a próxima vítima.
Olhou em seus olhos, uma pequena menina que a lembrou de quando era uma criança, e já era assassina.
Pela primeira vez lágrimas caíram pela face, e deixou sua presa. Viva.
Foi embora sem olhar atrás, e resolveu abandonar aquela vida.
Cansou do sangue inocente, cansou de fingir ser gente. Cansou de toda aquela história da humana, que ela não era sempre.
Parou em uma escola, onde estudara quando adolescente,
Sentou de frente à porta com lágrimas correntes.
- O que fazes aqui essa hora bela dama?
Perguntava um homem de fisionomia não muito estranha, um homem bonito o bastante para fascinar sua parte humana.
O céu sem lua, porém estrelado, selou aquela paixão à primeira vista.
E marcou o dia em que aquela mulher reiniciou sua vida.
Ela conseguiu um emprego e na casa dele foi morar.
E na lua cheia seguinte, com aquele homem ela iria se casar.
Ele a dava todo seu amor, a aquecia com seu calor, e a tratava como uma flor,
Porém ela não tinha amor.
Toda noite eles se abraçavam na grama do jardim, para admirar as estrelas,
Mesmo que ela achasse besteira.
Com o passar de uma semana, ela percebeu que estava mais humana.
Então pulou de alegria, já que ser feliz ela podia.
Na noite do casamento, eles subiram uma colina.

- Cuidado com as pedras querida!
Ele cuidava tendo certeza de que ela não cairia.
Então chegando lá em cima, uma cena presenciei...

- Um segredo tenho que te contar...
A mulher dizia.
- E eu também preciso lhe revelar um...
O homem respondia.
- Eu só agora te amo. Pois era uma infeliz vampira.
Ela revela o abraçando.
- Eu sei amada minha. Me desculpe, mas preciso...
E ele uma estaca no coração dela enfiando.
- Lhe tirar a vida.
Ele termina.

O sangue se misturou com suas lágrimas, e a lua selou o assassinato da vampira.
Morta pelo caçador lendário a quem entregou seu coração, sua alma, e sua vida.